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Remédio amargo para o Brasil

Depois de alguns anos de recessão e de índices econômicos nada favoráveis, o Brasil parece estar reagindo: percebemos o surgimento de uma sensação de confiança por parte da população, ainda que discreta.

Alguns primeiros sinais de recuperação da economia brasileira começam a aparecer, como a confiança do consumidor, medida pelo indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV), que subiu 1,8 ponto entre setembro e outubro deste ano, passando de 80,6 para 82,4 pontos, o maior nível desde janeiro de 2015. Trata-se da sexta alta consecutiva do índice, que atingiu o mínimo histórico em abril deste ano.

Outro bom indicador para os empresários é a redução da taxa Selic, decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em 19 de outubro de 2016. Apesar de a Selic ter sido reduzida de forma controlada, de 14,25% para 14% ao ano, o fato pode aumentar o acesso ao crédito e, consequentemente, o consumo no Brasil.

Já para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o crescimento do setor deverá acontecer lentamente e somente a partir de 2018, pois depende do otimismo do empresariado e do aumento do mercado interno, assim como das exportações.

Nesse sentido, o crescimento de longo prazo é definido pelas decisões internas. Será necessário o Governo Federal acertar a situação das contas públicas e enfrentar os problemas estruturais da economia brasileira, como custo trabalhista elevado, baixa produtividade da mão de obra, impostos excessivos, infraestrutura ruim e ambiente de negócios desfavorável, entre muitos outros. Os ajustes são fundamentais para que a indústria brasileira recupere sua competitividade e reverta a desindustrialização dos últimos anos.

O cenário internacional, por sua vez, está voltado para o processo eleitoral dos Estados Unidos, em 8 de novembro, e para a China, com a desaceleração e a transição econômica, o que pode trazer muitas incertezas no curto e no médio prazo, principalmente quanto ao ritmo de crescimento da economia mundial, ao preço das commodities e às taxas globais de juros e de câmbio.

Apesar disso, sabemos que a crise brasileira foi consequência de erros nossos, e não somente de fatores fora do nosso controle, como a crise internacional. A situação interna se agravou com a paralisação do Estado e com as turbulências políticas que interromperam investimentos nos últimos anos. Portanto, a capacidade de implementar reformas, a clareza na estratégia e o planejamento de longo prazo são os remédios, talvez um pouco amargos, mas imprescindíveis para retomarmos o desempenho econômico que, infelizmente, retrocedeu uma década. Há estimativas de um tímido crescimento do PIB já no começo de 2017, mas nada comparado a 2010, quando o PIB cresceu 7,5%.

O cenário futuro é incerto, e todas as tentativas de prever um reaquecimento da economia também fazem parte dos indicadores abstratos que medem a confiança e a capacidade de investir dos empresários brasileiros. Mas, depois de anos de números negativos e de confiança abalada, podemos pelo menos ver uma luz no fim do túnel.